Os desafios crescentes de um país chamado Brasil




Alessandra Nascimento *

Um dos grandes erros do Brasil foi ter centrado o desenvolvimento no seu modal rodoviário. São dois milhões de quilômetros de estradas, dos quais apenas 100 mil pavimentados e em péssimas condições de uso; onerando, assim, substancialmente os custos de manutenção. E isso num país cuja diversidade poderia ser melhor aproveitada.
         Possuímos a maior bacia hidrografia do mundo e sequer trabalhamos a cabotagem de modo a obter desse modal um grande aliado na diminuição dos custos de frete, o que impactaria imensamente na melhora da competitividade. Um agravante: em se tratando dos estados do Nordeste - todos banhados pelo mar -, esta modalidade seria de extrema vantagem. Outra grande iniciativa seria a aposta em ferrovias. É preciso, acima de tudo, entender a complexidade desses dois modelos não apenas no aspecto econômico, mas de segurança, além das questões ambientais (em caso de transporte de cargas perigosas, os riscos de acidentes são menores quando comparados ao uso das rodovias).
         Dispomos apenas de 29 mil quilômetro de malha ferroviária, sendo a maior parte no centro sul do país e 23 mil quilômetro de rios navegáveis. Enquanto não olharmos com maior propriedade e atenção para essas alternativas estaremos seguindo na contramão de um mundo globalizado onde a ordem é a economi. Investir na infraestrutura brasileira é garantir aos nossos filhos um futuro seguro. O Brasil é o país que vem batendo recordes com a produção agrícola, mas que infelizmente encontra dificuldades no escoamento.
         Recentemente o Fórum Econômico Mundial apresentou o “Relatório Global de Competitividade 2012-2013”. Foram analisadas 144 economias e o Brasil está na 48ª posição no ranking de competitividade. A Suíça lidera esta lista, seguida de Cingapura, Finlândia e Suécia. A pesquisa faz menção a pontos decisivos da economia brasileira, tais como a infraestrutura de transporte e a qualidade da educação que “não parece corresponder à necessidade crescente de uma força de trabalho qualificada”. Seguindo a mesma linha de discussão, estudos do Banco Mundial apontam que os produtos do país são 30 por cento mais caros quando comparados com outros mercados internacionais por conta da ineficiência da logística.
         Apostar no Brasil através de investimentos regulares na infraestrutura é um dever do Estado e se faz urgente. É preciso encarar os desafios com segurança e apresentar capacidade para promover as mudanças necessárias visando assegurar à economia brasileira garantias ao seu crescimento.
         É hora de se acreditar no país dotando-o de todo vigor necessário em busca do seu desenvolvimento, garantindo-se canais eficientes para distribuição racional e dinâmica no escoamento de sua produção.





 (*) O texto acima foi publicado originalmente no site Noticia Capital em 03 de agosto de 2013.

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