A internacionalização de empresas e a competitividade industrial

por Alessandra Nascimento (*)

O ato de internacionalizar uma empresa é algo mais do que simplesmente vender os produtos do país de origem ao exterior. A coluna Logística Portuária dessa semana vai tratar desse tema: a internacionalização de empresas. Primeiro, vale ressaltar que ela envolve investimentos diretos em terceiros países – que pode ser desde uma simples representação comercial até a uma instalação produtiva – para se tornar mais competitivo internacional e nacionalmente. Pensando estrategicamente, estamos falando no aumento das vendas e da lucratividade, market share, diminuição da dependência do mercado nacional e isso se mostra excelente ferramenta para momentos de crise, a partir da melhoria da capacidade ociosa da empresa, acesso a novas tecnologias. As perguntas a serem feitas pelo gestor da empresa quando começa a pensar em se internacionalizar devem ser: meu produto está apto a competir no mercado internacional? Para onde vou exportar ? Como devo realizar a exportação?
As perguntas são chave para os próximos passos. Participar de eventos internacionais, a título de observar possíveis concorrentes e assistir palestras sobre os entraves superados são excelentes para responder a essas dúvidas. A decisão empresarial é fundamental e deve envolver toda a empresa em conjunto. Compete nesse caso o apoio incondicional de entidades empresariais com ações de promoção, tais como federações industriais, associações comerciais, e apoio consultivo como a contratação de equipe especializada ou consultoria, seguido de uma adaptação do produto para o novo mercado a ser explorado, via adequação de  legislação e normas técnicas, dentre outras do país alvo.
Terminada essa parte compete agora o posicionamento político do país. Para tanto deve se entender que o apoio governamental via políticas públicas e ações que impactam diretamente na ajuda empresarial tem que ser prioritário. O governo, através de suas decisões, tem influência direta sobre o comportamento empresarial de internacionalização.  Dados recentemente divulgados pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com referência as ações em 2014 trazem a superação da meta de exportação das empresas participantes e produtos apoiados pelos projetos em 24,27% e o valor estipulado para 2014 foi de US$ 49,91 bilhões com resultado foi de US$ 62,02 bilhões, representando um aumento de US$ 15,65 bilhões ou 33,8% a mais do que o exportado em 2013.  Somente no ano passado a Apex-Brasil apoiou 84 setores produtivos, totalizando 10.786 empresas atendidas. Foram realizados 967 eventos, sendo 856 voltados para a promoção comercial, 66 de capacitação, 26 de promoção de investimentos, 11de articulação internacional.
A consultora Viviane Valente ressalta que é chegada a hora de se rever conceitos. Para ela, é inconcebível o Brasil, considerado umas das 10 maiores economias do mundo, amargar a 23ª  posição no ranking de exportação mundial. “Está passando da hora de os países da América Latina se internacionalizarem. As pequenas e micro empresas precisam de aportes para colocar no mercado produtos de alto valor agregados. O Brasil passa por uma grave crise nesse momento devido a política voltada à exportação de commodities. Vender produtos com maior valor agregado impacta na balança comercial, no desenvolvimento econômico, e sobretudo as áreas econômica e social são positivamente afetadas. O crescimento do nosso país nos últimos anos foi maquiado pelo elevado preço das commodities. Com a queda do valor desses produtos o resultado está sendo percebido atualmente”, observa.

(*) Artigo publicado no site Gente & Mercado

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