A força das pequenas e micro empresas no desenvolvimento e crescimento do país



Viviane Valente  


 "O desenvolvimento das pequenas e micro empresas é fundamental para o crescimento sustentável da economia de um país"

As pequenas e micro empresas detêm um papel importante para a economia de um país e contribuem eficazmente para seu desenvolvimento e crescimento.
Através da valorização desse segmento de empresas, países como Irlanda e Finlândia saíram do patamar de país agrícola e de baixo desenvolvimento econômico para exportadores de tecnologia e competitividade, obtendo níveis de alto crescimento e desenvolvimento econômico e social. Para alcançar tal nível, estes países adotaram diversas medidas e, dentre elas, incentivaram as pequenas e micro empresas com programas de fortalecimento do setor, a fim de obter força competitiva e tecnológica frente aos grandes do mercado internacional.
As medidas utilizadas por Irlanda e Finlândia foram a adoção da redução tributária; a redução da burocracia; a promoção das empresas ao mercado externo; a parceria público-privada e a criação de centros tecnológicos, ou seja, estes países voltaram toda sua atenção para o mercado exportador, a fim de gerar riqueza em suas contas nacionais.
A força desse segmento de empresas não é observada somente em países europeus. No Brasil, as pequenas e micro empresas possuem um papel importantíssimo na economia. Em 10 anos de mensuração do setor, a produção saltou de 144 bilhões para 599 bilhões. Juntas, estas empresas representam mais de ¼ do PIB nacional, ou seja, 27%. Em 2001, a participação das pequenas e micro empresas no PIB foi de 23,2% e, 10 anos depois, saltou para 27%. Além da importância no PIB do país, estas empresas empregam 52% da mão de obra do país.
Entretanto, diferente do exemplo europeu, o Brasil necessita fomentar esse setor através de programas de melhoria do ambiente de negócio, ou seja, realizar programas de promoção das pequenas e micro empresas ao mercado externo. Essa promoção deverá ser incentivada seguindo os preceitos do modelo europeu adequando-o a realidade latina, principalmente no que se refere à redução da enorme burocracia e da onerosa carga tributária.
Para abrir uma empresa no país é necessário realizar treze processos legais. Já em países desenvolvidos a regulamentação não ultrapassa cinco. E toda essa burocracia não é somente um problema do Brasil, é uma dificuldade arraigada também em outros países da América Latina, já que para se abrir uma empresa na Argentina ou na Colômbia à quantidade de processos burocráticos a realizar é igual ou superior ao nosso. Todo esse processo longo e oneroso desestimula o pequeno empresário e minimiza o poder criativo do setor.
Não bastasse toda a morosidade para se abrir uma empresa, os países latinos também adotam uma postura intolerante ao fracasso empresarial. Um empreendedor que não obtém sucesso em sua atividade enfrentará processos longos e custosos para conseguir fechar a empresa. Essa atitude desestimula o empresário a voltar ao mercado com um novo empreendimento.
Os países latinos, para fomentar as pequenas e micro empresas, deverão adotar estratégias de redução ao protecionismo agrícola e industrial de alguns setores e realizar investimentos pesados em políticas de promoção das pequenas empresas. Essas políticas deverão aportar programas de redução de taxa de juros, desburocratização, programas de financiamentos e redução fiscal. Os governos necessitam criar programas de desenvolvimento de capacidades para que essas empresas atendam ao mercado externo gerando produtos e serviços com alto valor agregado.
Portanto, Brasil e os demais países latinos deverão buscar desenvolver a criatividade interna voltada para o mercado externo, buscando um padrão de excelência e qualidade, a fim de gerar competitividade nas pequenas e micro empresas e alavancar o crescimento e desenvolvimento do país. Afinal, quando se observa apenas uma empresa desse segmento, pode até parecer pouca coisa, mas juntas representam uma fortaleza para economia.


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