Infraestrutura: o gargalo nosso de cada dia


Alessandra Nascimento*

As questões envolvendo a logística e os custos de transportes têm sido alvo de várias discussões no mundo. Os problemas, velhos conhecidos dos brasileiros são compartilhados também por argentinos, chilenos, uruguaios, dentre outros. Para uma maior reflexão sobre esse tema a coluna Logística Portuária  desta semana procurou o economista da Abeceb, consultoria de economia e negócios mais importante da Argentina, Mauricio Claveri. Ele faz menção as questões relacionadas à infraestrutura que acabam por interferir no preço dos produtos. “Um estudo da Organização Mundial do Comércio aponta que os custos de transporte dentro dos países membros do Mercosul são entre 20% a 30% mais altos que as tarifas praticadas o que impacta na perda da competitividade quando comparado com países de outros blocos econômicos”, avalia.

Pertinente a essa questão, Claveri alerta para os impactos nas projeções de crescimento dos países. “A infraestrutura – precária e deficitária – chama a atenção de autoridades e é alvo de discussões nos países da América do Sul. Entretanto, pode chegar um momento em que seja difícil aumentar a produção porque será fisicamente inviável devido aos gargalos no escoamento da produção. Cargas transportadas por caminhões, além de terem o custo mais alto, acabam por impactar numa maior deterioração das estradas em virtude do intenso trafego. Sem esquecer num maior tempo de translado e ampliação dos custos de seguros em razão da insegurança e dos aumentos com os números de acidentes”.

Claveri faz uma análise dos investimentos para tratar de dissolver os problemas. “Dados apontam que a América Latina investe em média apenas 2% do PIB na infraestrutura e isso é agravante”, explica. Ele traça uma análise da importância do modal marítimo nas transações comerciais entre a Argentina e o Nordeste brasileiro. “O comercio automotriz representou em 2013 aproximadamente 52% do comércio entre Brasil e Argentina e o estado da Bahia tem forte peso nesse cenário. O modal marítimo tem enorme valor para o comércio internacional com os estados nordestinos, até em função de ser considerado mais econômico”, diz.

(*) Publicado no site Gente & Mercado em julho de 2014

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