Economia criativa: a oportunidade da América Latina

por Alessandra Nascimento *

Todos os países da América Latina e Caribe (ALC) juntos representam 1.200 solicitações anuais de patentes segundo a Organização Mundial de Propriedade Intelectual. O número equivale a apenas 10% dos pedidos da Coreia do Sul, que tem 12.400. Outra situação que chama a atenção é que, enquanto a região responde por apenas 2,4% dos investimentos mundiais em pesquisa e desenvolvimento, EUA e Canadá são 37,5% delas e a Ásia, 25,4%. Importante ainda destacar que desses 2,4% que competem a ALC, a maior parte é dividida em três países da região – Brasil (66%), México (12%) e Argentina (7%). Na coluna Logística Portuária dessa semana vamos abordar a importância da economia criativa como oportunidade de desenvolvimento para a América Latina.
Recentemente a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro lançou um estudo buscando avaliar o grau de participação da economia criativa na economia nacional. O “Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil” apontou que 251 mil empresas faziam parte desse segmento industrial em 2013, porém, nos últimos 10 anos houve um crescimento de 69,1%. As estimativas não ficam por aí: a indústria criativa responde atualmente por 2,6% do PIB brasileiro, e gera 892,5 mil empregos formais. A pesquisa apontou também que em relação a ganhos mensais, os profissionais desse segmento ganham até três vezes mais que o rendimento médio de um trabalhador brasileiro.
Segundo o documento “El emprendimiento en América Latina: Muchas empresas y poca innovación”, coordenado pelo Banco Mundial, a demanda por serviços de boa qualidade tem aumentado na América Latina. O aumento da produtividade e da capacidade de investimento do governo foram alguns pontos sinalizados no estudo. Destaque para uma observação feita no estudo: os empreendedores de êxito são aqueles que transformam ideias em iniciativas rentáveis. O material também aponta que a melhora da logística e infraestrutura com modernização de portos, transporte e aduanas, pode proporcionar vantagens competitivas para a produção regional. “O déficit atual de infraestrutura também impacta nas limitações da capacidade de crescimento. Mesmo com a globalização muitas indústrias permanecem protegidas e distantes da competição. A proteção gera redução do crescimento da produtividade nestes setores, prejudicando a exportação que depende de serviços e bens intermediários”.
Também foi observado com o estudo do Banco Mundial que, atrás de empresas dinâmicas e produtivas, há empreendedores criativos. “Estas empresas não apenas geram melhores oportunidades de emprego como criam empregos melhores”. Em seu livro “Criar ou Morrer”, Andrés Oppenheimer faz uma análise do Vale do Silício, nos EUA, capital mundial da inovação e sede de empresas de alta tecnologia como Google, Apple, Facebook, dentre outras. O autor considera friamente as dificuldades de se implantar um similar nos países latino-americanos e sugere que para se incentivar a inovação é preciso contar com massa crítica de mentes respaldadas por bons sistemas educativos. “Não há duvida que um mau clima de negócios, burocracias infernais e a corrupção são grandes impedimentos”, observa.
O livro aponta cinco segredos básicos para alcançar a inovação: criar uma cultura de inovação; investir em educação de qualidade; promover a desburocratização; modificar leis que por ventura restrinjam ou inibam a inovação; adotar políticas que visem estimular a visão criativa, com maiores aportes em pesquisas e globalização da inovação. Ele cita em especial Brasil e Chile como exemplos de países que começam a realizar esse tipo de ação com a realização de parcerias com instituições de ensino estrangeiras. A chave para o desenvolvimento, num mundo altamente globalizado, é a economia criativa, a partir da inovação tecnológica. Porém só será possível alcançar essa meta com uma educação de qualidade.

(*) Artigo originalmente publicado no site Gente & Mercado de abril de 2015

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