Os benefícios da cabotagem para a economia brasileira





Alessandra Nascimento*


A melhoria da competitividade brasileira começa por serviços de transporte mais modernos e adequados às realidades do mercado global. Segundo a pesquisa Confederação Nacional dos Transportes, CNT de Rodovias 2014, o modal rodoviário sozinho, responde por 60% do transporte de cargas no país e 90% do deslocamento de pessoas. A necessidade de se ter uma logística mais dinâmica é o tema dessa semana da coluna Logística Portuária. Na ultima edição do índice de competitividade global do Fórum Econômico Mundial, o Brasil aparece na 122ª posição dentre os 144 países pesquisados. Países como o Chile (31ª), Suriname (70ª), Uruguai (90ª), Bolívia (95ª), Peru (102ª) e Argentina (110ª) estão melhor posicionados em relação ao nosso país que é considerado uma das dez maiores economias do planeta.

Voltando à pesquisa da CNT, ela identificou que cerca de 49,9% do pavimento das rodovias brasileiras apresenta algum tipo de deficiência e ainda há pontos críticos tais como quedas de barreira, pontes caídas, erosões na pista e buracos grandes que vão dificultar ainda mais o ir e vir de mercadorias e pessoas. Todo esse cenário ainda ganha contornos mais delicados ao se contabilizar o elevado número de acidentes, roubos de cargas e depreciação das vias, contribuindo para reduzir a vida útil da pavimentação da pista. É interessante analisar que o acréscimo médio do custo operacional devido à qualidade do pavimento das rodovias brasileiras é de 26%, mas na região Norte – com maiores deficiências na malha – o índice sobe para 37,6%. Ainda de acordo com o Plano CNT de Transporte e Logística para se realizar as readequações necessárias ao modal rodoviário seriam necessários aportes de R$ 293,88 bilhões, ao passo que o investimento público autorizado no ano passado foi de R$ 11,93 bilhões.

Nesse contexto, a interconexão entre a zona produtiva e os canais de escoamento se mostra a cada dia mais essencial. Uma solução é apostar na cabotagem a partir do imenso numero de rios e da zona costeira brasileira de mais de 8,5 mil quilômetros. Mais econômica, segura e menos poluidora, esse tipo de transporte apresenta uma excelente vantagem frente aos demais modais. Segundo o diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil, AEB, Aluísio Sobreira, a cabotagem brasileira torna-se cada vez mais fundamental para o aumento da competitividade no comércio exterior brasileiro. “Navios menores que os de longo curso estão aumentando sua presença através da transferência (Feeder Ports) das cargas aos Portos Concentradores (Hub Ports) os quais por terem maiores profundidades e condições operacionais adequadas podem receber os navios mercantes de longo curso. O porto de Santos é o grande exemplo, mas existem outros portos como, Suape, Rio Grande, que também se enquadram na condição observada”, analisa.

A grande discussão levantada pela AEB na atualidade diz respeito às taxas e impostos cobrados, o que de certa forma contribuem encarecendo o valor desse transporte. Acrescente-se ainda o peso da burocracia, oriunda das exigências de tratamento aduaneiro. Dados da entidade apontam que em 2013, o transporte via cabotagem de Granéis sólidos cresceu mais de 16,4 milhões/toneladas, de Graneis Líquidos 110,4 milhões/toneladas, carga solta cinco milhões/toneladas e a carga conteinerizada chegou a 9,1 milhões/toneladas. Trata-se de uma modalidade de serviço altamente vantajosa e em expansão e uma alternativa inteligente ao já colapsado modal rodoviário.


 (*) O texto acima foi publicado originalmente no site Gente & Mercado.

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