Comércio Exterior: os desafios da América Latina





Alessandra Nascimento *


Pensar na integração regional é lutar pelo livre comércio, reduzindo ou até mesmo isentando de impostos ou de tarifas alfandegárias e, principalmente, tendo como objetivo crescimento econômico para os países membros a partir de um maior fluxo de capitais e serviços, além da união de povos. Essa é uma premissa básica a qualquer bloco econômico que deseje se manter operante. No mundo atual não se pode apertar as mãos de um parceiro e quando ele vira as costas mudar o discurso.
            Pois bem, esse é o dilema atual do Mercosul, cuja falta de sintonia entre os parceiros tende a se acirrar ainda mais com o dinamismo e o crescimento da Aliança do Pacífico, bloco criado recentemente e que vem chamando a atenção na América Latina por adotar medidas eficientes e agregar 15 países como membros observadores.
            Agora vamos raciocinar cada um deles pelo seu peso econômico: o Mercosul  - composto por Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela e Paraguai – reúne uma população de 270 milhões de habitantes e um PIB de US$ 3,3 trilhões; já a Aliança do Pacífico  - com  Chile, México, Peru e  Colômbia - tem uma população estimada em 216,6 milhões de habitantes  e respondendo por um PIB de US$ 2,8 trilhões contabilizado em 2012.
            Analisando ainda mais de perto encontramos no Mercosul questões de ordem interna muito sérias. O mais recente membro, a Venezuela, sofre com a escassez de divisas e os efeitos da centralização cambial empilhando US$ 9 bilhões em importações não pagas, dos quais US$ 1,5 bilhões são de exportadores brasileiros. Entretanto a lista de questões negativas não se encerra por aí: as disputas internas tendo como foco os dois países mais importantes – Brasil e Argentina – já foi parar na Organização Mundial do Comércio. Outra crítica diz respeito a acordos multilaterais com outros países, que simplesmente não avançam, e a proibição do Mercosul a que os países membros realizem acordos individuais com países fora do bloco. Um exemplo disso é o acordo com a União Europeia, iniciado em 1999; interrompido em 2004, e reiniciado no ano passado, mas que ainda não foi concluído. De acordo o Ministério das Relações Exteriores ele talvez seja finalizado ainda no ano que vem.

            A Aliança do Pacífico demonstra ser um grupo econômico com pensamento mais atualizado cujas ações se mostram em sintonia com o momento atual mundial. Recentemente o Uruguai, cujo presidente José Mojica é defensor de uma estratégia de aproximação do Mercosul com o novo bloco, solicitou se tornar um país observador. Não seria de se estranhar que, em curto prazo, o novo bloco venha a superar economicamente o desempenho do Mercosul, que vive uma fase de grandes desencontros e falta clara de uma política em prol do desenvolvimento regional.
        Por conseguinte, não dá para imaginar um futuro promissor para o Mercosul com as decisões equivocadas que vem sendo tomadas por parte dos governantes dos países membros. Contudo é nesse cenário que a Aliança do Pacífico se apresenta como uma alternativa mais harmônica gerando lições aos colegas do Mercosul.





 (*)  O texto acima foi publicado originalmente no site Noticia Capital em 22 de agosto de 2013.

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