Noruega: um exemplo do bom uso dos fundos do petróleo

A produção mundial de petróleo alcança cerca de 88 milhões de barris diários. Esse volume, que esconde uma super dependência mundial do produto, tem suas consequências: poluição, oscilações financeiras relacionadas ao preço do barril, que atualmente está entre US$ 60 a US$ 70 o barril, e ainda os impactos relacionados ao excesso de oferta oriunda da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, Opep, em recusar reduzir seu teto de produção.
Num mundo em constante mudanças, um exemplo chama a atenção: o uso que a Noruega está dando aos fundos soberanos, estimados em US$ 815 bilhões. Na edição dessa semana da coluna Logística Portuária vamos analisar a estratégia norueguesa de destinação dos fundos soberanos.
Conhecido pela produção de petróleo, esse país – com cerca de 5 milhões de habitantes – acumula êxitos obtidos com as políticas do estado de bem-estar-social. Expectativa de vida superior a 80 anos, gastos em 9,7% do PIB com saúde, 7,7% do PIB em educação, índice zero de analfabetismo e PIB per capta estimado em US$ 100 mil.
Desde quando  o petróleo  foi descoberto, no final dos anos 60, a Noruega passou por uma guinada impressionante. O país escandinavo conseguiu transformar os recursos pela exploração do petróleo em riqueza e prosperidade para a população. Atualmente, ele chama a atenção do mundo por declarar que vai utilizar os valores oriundos do antigo Fundo do Petróleo, atual Fundo Soberano, em projetos de energia renovável. O fundo foi criado nos anos 90 e recebe dinheiro captado com os impostos de petróleo e gás.
A extrema preocupação do povo norueguês com o meio ambiente se traduz no turismo do país e na adoção de políticas como apoio total a reciclagem e reaproveitamento do lixo para produção de adubo, recuperação de fósforo e produção de biogás. Essa visão projeta a Noruega internacionalmente. Hoje é o país que mais apoia a redução de emissões de desmatamento e degradação florestal no mundo.
Sozinho, aquele país alocou R$ 1 bilhão no Fundo Amazônia para apoiar projetos que impeçam, monitorem e combatam o desmatamento e ajudem na conservação do uso sustentável da floresta. Essas políticas devem servir de inspiração ao governo brasileiro. As ações brasileiras, embora tímidas nesse campo quando comparadas aos escandinavos, posicionam o país como sensível às preocupações ambientais.
Segundo o boletim Ranking Mundial de Energia e Socioeconomia – publicação anual da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia – o Brasil é considerado o quarto maior produtor de energia renovável do planeta, com produção de 121 milhões de toneladas equivalentes de petróleo. Sobre energia eólica, dados de 2013 apontam que o Brasil ocupava a 15ª posição. Já na energia hidráulica o país está na terceira posição global, com geração de 82,5 GW.

Texto originalmente publicado no site Gente & Mercado

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